"Por que é que opinião incomoda tanto assim?" Carolina pensava. Perguntava as pessoas, e cada uma dava seu ponto de vista, mas nenhum que fosse compatível ao dela. Cada pessoa tem sua opinião sobre o conceito de opinião. E talvez seja por isso que as pessoas devam respeitar. Carolina coçava a cabeça enquanto tentava imaginar uma universalidade para aquele conceito tão disperso e tão, digamos, volátil. Na cabeça dela, a opinião era a visão que cada pessoa tinha das coisas, ou de situações. O pensamento que vinha depois de conhecer cada coisa, o sentimento que se tinha depois de cada situação vivida. Ela achava que a criação de opinião era inerente a pessoa, ou seja, querendo ou não, nós formamos uma opinião de tudo. Eram ideias e ideais sobre quaisquer tema. Mas isso incomodava ela, de alguma forma que ela tentava descobrir. Saiu de casa e foi para o quintal, respirou um ar gelado da noite, olhou para o céu e voltou, meio que desanimada para dentro. Sentou-se na escrivaninha e pôs-se a pensar. Não era sempre que ela se incomodava, ela se incomodava pela "falta de liberdade de expressão" que ela, e todas as pessoas tinham. Não é sempre que você pode expressar sua opinião livremente. Num mundo e numa sociedade que prezam por uma "liberdade utópica", a própria sociedade te corta em alguns aspectos. Mas, era claro para Carolina que não vivemos num mundo perfeito, e isso deixou de incomodá-la. Contudo, ainda tinha algo que ela não entendia. Mesmo que numa repentina revolta, alguém expressasse sua opinião, "politicamente correta" ou não, sempre havia de aparecer alguém para contra-argumentar ou sei lá, criticar de alguma forma seu, e únicamente seu jeito de ver as coisas. Isso era muito errado para Carolina, era desnecessário, não era nada educado. E pior mesmo era quando essa tal pessoa que vinha apenas para criticar, era desprovida de conhecimento no assunto e assim, além de falar asneiras, não criticava construtivamente. Eis que finalmente Carolina encontrára a solução: Deixava o assunto morrer, utilizando de cortes e ironias. Tinha sido eficiente até então.
Franco Ferreira e Renata Macedo
sábado, 17 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Pedido formal
O mundo deu voltas e mais voltas, os dias iam e vinham, mas Evaldo não tinha uma certeza. Era certo que Carolina gostava dele, pois ela mesma dizia. Evaldo, no entanto, achava errado o sentimento que ele possia por ela. Ele mal sabia descrever o que sentia. Finalmente ele decidiu pedir, tentar transformar o sonho em realidade, literalmente. Pediu Carolina em casamento. Ela achava que um relacionamento desses tendia ao fracasso e preferiu que somente vivessem juntos. Mas faltava um convite, um pedido. Evaldo respirou fundo e disse "Carolina, sabe que nos damos muito bem e eu sinto necessidade de te ter por perto. Acho que te amo, mas não sei bem se é realmente isso. Mas pergunto, você quer viver comigo, estarmos um para o outro e vice-versa?" Carolina pensou por um instante e respondeu "Pois, que Evaldo fique bem sabendo, o coração ou a mente de Carolina escrevem, suplicam um amor muito bonito, um amor diferente do que se vê por aí. E Carolina humildemente aceita, Carolina adoraria viver ao lado de Evaldo." Pois uma coisa era certa; Carolina crê fielmente na bobisse de Evaldo.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Dose de inutilidade diária
Evaldo estava no emprego, a tradicional xícara de café ao seu lado. Estava com a cabeça cheia e decidiu abrir o navegador de Internet. O conceito de Internet sempre lhe foi meio abstrato, quase que metafísico. Ele imaginava um mundo virtual de dados e servidores como portas para esse mundo, que na realidade não passavam de grandes computadores, e a conexão com eles vinha com um cabinho miserável. A grandiosidade da Internet perdeu espaço na cabeça de Evaldo. Ele abriu uma rede social que ele já não abria a certo tempo. As 95 notificações fizeram ele quase pular da cadeira, não obstante, a velocidade em que novas publicações surgiam era quase alarmante. Publicação era um nome interessante, pensou Evaldo. Publicações pra ele eram periódicos, jornais, artigos de revistas científicas. Não imagens com mensagem bonitas, mas sem conteúdo. Depois de alguns minutos observando o comportamento das pessoas, ela já não conseguia saber se aquelas pessoas diferenciavam a vida virtual da real. Toda a rotina, todo o desânimo da vida real apareciam nas "publicações", mas com uma esperança natimorta. Ele percebeu a tendência das pessoas se refugiarem nas telas de seus computadores, pra viver a mesma, ou muito parecida vida que levariam no mundo. A partir daí o café tinha acabado, e sua dose de inutilidade diária também. Fechou o navegador e colocou-se a trabalhar. O mundo é muito grande para se ter tudo a sua mão em segundos.
terça-feira, 13 de março de 2012
Beleza Maquiada
Era de fato necessário? Perguntou-se Evaldo. Todas aquelas mudanças iríam trazer resultados? Não conseguiu imaginar uma resposta plausível e seguiu seu caminho pela rua deserta. O frio da noite na cidade o confortava de certa maneira. Se viu de repente na obrigação de parar e apreciar a bela Lua que estava no céu. Fez Evaldo esquecer momentâneamente seus problemas, e ver de fato alguma beleza. Uma beleza que ele já não sentia mais. Uma beleza que ele não conseguia ver nas pessoas e nas suas atitudes. Uma beleza maquiada que destruiu paredes sólidas, que ele considerava inquebráveis e insubstituíveis. O mundo já não era mais o mesmo, pensou Evaldo, enquanto se levantava do banco da praça. Deu uma espiada na Lua, que já tinha sido encoberta por nuvens, e seguiu seu caminho na noite fria.
Casamento
Evaldo acordou de sobressalto. Acordara de um sonho bem interessante, no qual uma amiga dele, Carolina, apareceu. Foi quando se assustou, e acabou acordando. Sem conseguir dormir foi até a cozinha para passar um café e refletir sobre ela. Se conheciam por causa do namorado dela, um amigo de Evaldo. Começaram a conversar e confidenciar coisas, era a melhor amiga de que ele tanto precisava. Ajudava ele, escutava seus problemas, assim como Evaldo escutava os dela. Mas havia um problema, afinal, sempre há um. Evaldo começara a gostar dela, de um modo que ultrapassava a amizade, numa época em que Carolina brigava com seu namorado. Evaldo sempre se sentiu culpado, e ainda mais agora, que além de tudo sonhava com ela.
Lembrou-se, entre canecas de café, que ela até terminou com a pessoa, mas que em seguida voltaram. Lembrou-se também, da infelicidade, que mesmo sendo completamente errado, que ele sentiu quando soube. O quanto que isso deu a entender? Ele já não sabia dizer. Lá se foram minutos de pensamento, até que finalmente lembrou-se do sonho. Estavam numa igreja, era um casamento, com certeza. O estranho era que Evaldo era o noivo. As portas se abriram e a noiva entrou sozinha, com um véu tampando seu rosto, ela parou diante dele e retirou o véu. Era Carolina. Evaldo acordou de sobressalto.
Lembrou-se, entre canecas de café, que ela até terminou com a pessoa, mas que em seguida voltaram. Lembrou-se também, da infelicidade, que mesmo sendo completamente errado, que ele sentiu quando soube. O quanto que isso deu a entender? Ele já não sabia dizer. Lá se foram minutos de pensamento, até que finalmente lembrou-se do sonho. Estavam numa igreja, era um casamento, com certeza. O estranho era que Evaldo era o noivo. As portas se abriram e a noiva entrou sozinha, com um véu tampando seu rosto, ela parou diante dele e retirou o véu. Era Carolina. Evaldo acordou de sobressalto.
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