segunda-feira, 9 de abril de 2012

Horizonte

Evaldo estava com o violão no colo, tocando algumas musicas pela metade, sem uma ordem lógica visível. Era, no entanto, muito visível que sua preocupação não era o violão. Os olhos dele estavam fixados num horizonte distante, seu pensamento estava a seiscentos e oitenta quilometros à nordeste. E não era sem motivo que Evaldo se pegara pensando em Carolina mais uma vez. Ela estava muito mais distante que esses quase setecentos quilometros, ela estava completamente inacessível. Evaldo estava mal com aquilo, sentia-se culpado por muitas coisas. Culpado por demonstrar afeto, culpado por destruir momentos. E mesmo que Laura estivesse ali pra roubar todas as atenções emocionais de Evaldo, Carolina conseguia sempre ser o destaque. Talvez isso fosse o mais errado de tudo. Um poliamor que não existe, só é um fruto da cabeça de Evaldo. Que Carolina seja feliz com quem ela quiser, e Evaldo seja feliz talvez com Laura.

Poliamor

Os sentimentos de Evaldo eram conflitantes, e isso só o deixara pior do que estava. Carolina estava triste, distante e de uma certa forma tinha razão. Evaldo tomara suas dores, e sozinhos, sentados a um muro, estavam a beira de lágrimas. Evaldo viu Carolina ir embora, e não podia fazer mais nada. O ônibus virou a esquina e uma lágrima correu pelo rosto de Evaldo. O céu se fechou e despejou uma chuva colossal, enquanto as lágrimas de Evaldo continuavam a cair. As pessoas todas corriam por marquises e se protegiam da água torrencial, mas Evaldo só foi para casa. Perdido em seus próprios pensamentos, e encharcado até os ossos, ele andava pelas ruas desertas em meio as correntezas formadas pela chuva, pensando, somente pensando em tudo que Carolina foi pra ele, desde o primeiro "oi" até o abraço silencioso da rodoferroviária. Curitiba chorou na quinta, no domingo. Curitiba deu adeus a uma amizade. Curitiba deu adeus à Carolina e tudo de bom que ela, pelo menos a mim, trouxe.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Existe fé no mundo?

O mundo perdeu o conceito de amizade. O tempo o corroeu, o desgastou até ele perder sua forma original. A beleza inicial foi dando lugar à falsidade, ao egoísmo. Mas de tempos em tempos um pequeno foco dessa amizade original; que era baseada em confiança, em preocupação, em bons conselhos, aparece. Uma história que se criou, mas o mundo não suporta mais tanta beleza, o mundo está poluído por nós! O mundo rejeita a humanidade, a despreza como se fosse o mais infímo ácaro do seu colchão. Eu me lembro de uma dessas amizades, e como todas ela foi esmagada pela mente suja das pessoas. As pessoas repudiam a mera menção de um sentimento bonito. Preferem dar lugar a um amor egoísta. Um amor que no fundo, não se preocupa com as pessoas. Eu senti na pele o que é ser esmagado pelo senso-comum, e meu único recurso é um apelo para que as pessoas parem de pensar nelas próprias, visualizem isso de uma forma mais ampla. Acredito que o mundo todo é uma constante, e que para um ter mais, outro deve perder. E saiba que por mais "nobre" que seja sua causa, alguém vai se machucar com isso.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Entendimentos equivocados

Qual é a concepção de cada pessoa para certo assunto, e o quanto isso influencia no seu modo de pensar sobre ele. Parece até título de tese de psicologia ou sociologia, mas era o que corroia a cabeça de Evaldo. Ele estava desanimado, descontando sua indignação em pessoas que não tinham nada a ver com isso, e vendo Carolina cada vez mais longe dele. E justamente no período de que eles estavam mais próximos. E quando tudo foi da lama aos céus, Evaldo foi o culpado, Evaldo não sabia diferenciar, Evaldo queria roubar Carolina pra ele, Evaldo dizia "eu te amo" pra ela. E tudo isso é extraordináriamente errado. O mundo culpou Evaldo, somente pelo fato que ele se preocupava com ela. E o amor que eles sentiam, o amor fraternal (não o amor humano, sujo e egoísta comum) que eles sentiam foi acusado, foi decaíndo, e Carolina estava cada vez mais distante. O egoísmo de uma pessoa destruiu toda uma história, sem motivos aparentes, apenas pela ignorância, pela insegurança, e pela falta de comunicação. E acabou por distanciar Evaldo e Carolina, num final que não foi feliz pra nenhum dos lados. Mas que alimentou o ego de uma única pessoa.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Visitas inesperadas

"O que fazer pra convencer?" - Pensou Evaldo, num suspiro longo. A sensação de insuficiência era enorme. Nada de que ele dissesse ou pensasse serviria de fato para alguma coisa. Não haviam adjetivos para qualificar o que ele sentia. Carolina, por outro lado, sabia que de alguma forma, por menor ou mais visível que fosse, aquilo podia dar errado. Ele não iria deixar nada acontecer e tinha prometido "protegê-la" a todo momento em que ela estivesse perto dele, e a avisara. Pedira, suplicantemente que ela lembrasse de Evaldo por ali, que ele sempre estaria mais do que disposto a ajudá-la. Ainda assim ele estava preocupado, algo lhe dizia que tudo aquilo não daria certo. "Como convencê-la?" - Pensou mais uma vez.