terça-feira, 19 de março de 2013

Evaldo estava sentado na cama olhando para os resultados de um experimento que dera errado.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

f(x,y) = 0

Seja f uma função de duas variáveis a valores em IR² tal que para cada ponto no plano (x,y) exista uma imagem f(x,y) = 0.
Hoje, eu aprendi a gostar do zero. Zero, tal como na função acima, é um conjunto infinito de pontos, ou seja, por mais que eu escolha qualquer valor, meu resultado sempre será zero. Hoje eu aprendi a conviver com isso, soube que nem tudo que você quer será o você terá. Eu, agora, escolhi pelo zero, pelo anonimato. Hoje eu escolhi f(x,y) = 0.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não Caia

Certa vez uma amiga me disse "não caia". Percebi naquele instante que tudo podia cair, porém, ao invés da Lei de Gravitação Universal, me veio a cabeça: "Alguém poderá me erguer?"
Meses se passaram: eu, eu vivia caindo. E queda após queda eu percebi que ninguém te ergue, todos te derrubam.
Meses se passaram: hoje eu me vi cair. Não havia mais amiga pra dizer "não caia", ainda assim, caí. Não sei se posso me levantar, ou se o chão sujo e frio é meu lugar. Não havia ninguém pra me derrubar, nenhum obstaculo para tropeçar. So havia eu, e o nada, e no fim, a sensação de que podia, de que devia haver algo ali. Nada. Você perseguiu seu sonho muito depressa, você conseguiu, você está sentado num apartamento frio, sem nada que possa te aquecer. O nada que já havia antes mesmo de existir. "Não caia."

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cidade

"Espaço em contradição de ser. Ruas, avenidas, praças, traços verticais. Transeuntes uns, Josés e tais. Barulhos afins, faróis. Na esquina de um João Ninguém há mundos de papelão. Sujeitos e construções. Olhar pernas descobertas me desviam a atenção. Qualquer coisa pra dizer, ou não. Não há de salientar, não. O vento a fazer voar as penas, num bar ou qualquer lugar, num ônibus circular. Se a noite continuar, cidade vou te encontrar. E noite a madrugar manhãs escuras." (João Luis Braga / Luiz Gabriel Lopes)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Dois e Oitenta

Novamente as flores amarelas estavam naquela velha calçada remendada. Os garis varriam todas elas para um canto e, sem querer, destruíam toda aquela beleza constantemente pisada pelos pedestres apressados.
Mais um ano que estava ao fim. Mais uma vez em que Evaldo andava cabisbaixo, com outros hábitos, indo para outros lugares, mas nunca deixando de passar por ali. As pequenas flores ainda o traziam velhas lembranças e o faziam tentar imaginar novos futuros. Dois anos se passaram, mas Evaldo não queriam mais ter que esperar doze meses para revê-las. Preferia ficar lá, esperando que as flores o cobrissem.